Se eu pudesse escrever os dias verdes e azuis da infância em tintas e nuvens que acordaram as manhãs e os banhos de rio, na década de cinquenta em Manaus, Se eu pudesse contar as ondas do mar da adolescência em Ipanema, quando o sol brincava em riscos brancos de sal nos meus braços, Se fosse possível listar os livros que li, naquelas décadas de Ditadura, quando o tempo corria devagar e as sessões de cinema traziam a vida em technicolor, Se as viagens de férias para Guarapari e Teresópolis somassem a idade de meus pés, Se os sonhos sonhados fossem menores que os sonhos vividos, Se as mãos que escrevem poemas pudessem dizer até os devaneios, Se os versos e as histórias ouvidas pela voz de meu pai estivessem mais perto, Se as viagens de estudos pudessem continuar eternamente, Se fôssemos um e outro lado a lado sempre, Se o mundo deixasse para trás as guerras loucas, Se as mãos nos dessem a dimensão do nosso imaginário, Se fôssemos falar com Deus no escur...