Gradiva (Outros fragmentos)

3.


Contemplo o céu verão nas noites de lua e vejo com as retinas abertas a obscuridade de toda uma época.

As constelações tão nítidas quanto distantes passam diante de mim. Não consigo contar as estrelas. O presente brilho caminha aos poucos levando junto os sonhos.




5.


Quando eu me pergunto se o tecido de algodão antigo pesava mais que o nosso, de uso diário, não encontro dúvida na resposta para um grande sim. As mulheres envoltas em panos, na Grécia antiga,

mantinham com o chão uma proximidade tão natural como hoje assistimos na nudez em destaque. E o corpo carregava em dobras o pouco que se expunha nas muitas pontas do algodão. Em geral de cor clara, mas insisto que as cores areia e laranja também apareciam com alguma frequência assim como os tons de azul e verde.


Sobre o azul e o verde das paredes desbotadas pelo vento e pelas águas, nesta frequência, entre o espaço e o tempo, percorro lenta as pupilas.

Há e ainda haverá, por algum tempo, os sulcos com as marcas dos dedos que pintaram as paredes de Pompéia. Um pequeno retoque aqui, um arranhão mais forte do outro lado e bem perto daquela grande porta em arco.

São os homens em seus traços que retornam com seus hábitos e manias.





(Naquela Pompéia de quase 80 anos d.C. havia muita festa e muita música. A brisa soprava quente.)

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Em 11.09.2025