No outono,

o ar em movimento...
em nossa "intimidade" os desejos tomam posse da mais profunda respiração
e os gestos carregam o mais distante de nossa humanidade (grega, judaica, cristã)?

Fixados nas pedras, nossos movimentos marcam uma memória sensorial muito antiga.

Na poética tanto quanto na psicanálise (em sua prática) encontro razões para me confrontar com o tempo,
a história, o desejo.
No movimento sempre relançado, a imagem em sua relação com o sonho nos apresenta sua questão.
A imagem de um sonho - até mesmo esquecida - em um relato que tenta desenhá-la mas não consegue.
Resta apenas um gesto. Qualquer.

As imagens se fazem e se desfazem.
A palavra restitui a memória, a sua superfície legível.

Acaso, já pensamos que são as imagens que nos levam a "ver" o sonho (nestes espaços em branco
nos quais eles muitas vezes se mostram?)



rio de janeiro, 15.04.2012.

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