Faleceu Doris Lessing aos 94 anos - Homenagem


A escritora britânica Doris Lessing, em foto de maio de 1999 (Foto: Andreu Dalmau/AFP)
Nascida em 22 de outubro de 1919 em Kermanshah, na Pérsia - hoje Irã -, Doris Lessing escreveu uma rica obra que fez dela um ícone de marxistas, anticolonialistas, militantes anti-apartheid e feministas. Tornou-se conhecida desde seu primeiro livro em 1950 
Grande parte de sua obra narrativa e poética está baseada em sua própria experiência na África e na Inglaterra, com personagens femininos sensíveis e perceptivos que se adentram em questões existenciais e exploram as contradições.

Fragmento de seu livro autobiográfico Debaixo da minha pele. Companhia das Letras, 2007:

"Ritmos mais precisos e misteriosos regulavam as muitas vidas paralelas a nossa, no mato. Uma mariposa vinha do escuro, toda noite, logo depois do pôr-do-sol, acomodar-se na tela de uma janela. Eu mergulhava o dedo no melaço dourado, punha o dedo num buraco na tela e lá vinha a mariposa, agarrando-se com as patas macias, fazer seu festim - durante vários minutos, meia hora. Uma grande mariposa marrom, macia, maravilhosa, com antenas que pareciam plumas. (...) Eu costumava esperar por ela, à espreita do borrão de asas na luz amarelada que entrava pela janela. E depois - pronto, a mariposa sumiu; seu tempo se esgotara, por um motivo ou por outro."
(p.141)

Obs: livro que ganhei de uma sobrinha querida no lançamento de meu Livro das areias.

E de Andando na sombra. Segundo volume da minha autobiografia. Companhia das Letras, 1998, que adquiri em 1999:

"As mulheres estão acostumadas a ouvir confissões, principalmente quando são jovens - bem, àquela altura eu ainda era meio jovem - e atraentes.
(...)
"Quer dizer que esse homem lhe disse que andou explodindo esse hotel?"
"Disse."
"A senhora o conhece?"
"Não."
Quer dizer que ele estava contando a uma perfeita estranha que andou cometendo assassinatos e traições e sabe Deus o que mais em Jerusalém?"
"Ah, esqueça."
 (p.41, 42)

E ainda do livro Alfred et Emily, Flammarion, 2008, que adquiri em Paris, possivelmente em 2010. 
Cito:
"Il y avait une petite bibliothèque en chêne sous la fenêtre. Elle s'assit devant, à même le sol,  et regarda attentivement les livre aux couvertures fanées. (...) Ils apparaissaient comme pour magie, adressés à son nom, et elle les emportait dans sa chambre. La pierre de lune, La dame en blanc. Sherlock Holmes. (...) Dickens au grand complet, à ce qu'il semblait. (...) William Blake. (...) Les poèmes de Byron, (...) Shelley, Wordsworth,  (...) John Keats, Shakespeare, (...) Les livres - un lieu de paix et sérénité (...)."
(p. 97,98)

Sim, querida Doris,
"os livros - um lugar de paz e serenidade"
 !!!
Sim

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