Poema
Corpo estrangeiro
Não posso
deixar de registrar este frio
Respiro-o
sem querer
Invade os
olhos o nariz e a face
Reduz a
caminhada
Sinto-me mais
velha Sem querer
Os agasalhos
pesam
As botas verdes
pesam toneladas nos pés
Lágrimas
quase pingos de gelo
Saltam desastradas
dos olhos pequeninos
Ainda é
cinza esta primavera-inverno
Pássaros urgem
entre nuvens gordas
Dia 20 de
março de 2018 Faz -1 degré
Ainda neva? Alguns
jovens correm Agasalhos negros
Ruas geladas
em Paris Respingadas de branco
Alguns
homens perambulam Cantos das calçadas
Negros pardos
brancos Se mexem Vivos panos rotos
Salvar o
planeta é a ordem do dia
Os homens em
correntes-de-mãos-dadas
Cada passo
sinaliza um olhar
Cada gesto expande
uma voz estrangeira
A língua-mãe
marca o espaço do corpo
Não posso
deixar de registrar este entorno
Não posso
deixar de registrar este
Não posso
deixar de registrar
Não posso
deixar de
Não posso
deixar
Não posso
Não.
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