Diário, 11.01.2022

Em algum momento da vida, pensei poder me ver com os olhos do mundo. Olhos grandes e diversos. Olhos de muitas línguas. 

Por vezes, acreditei que carregava no corpo um pouco dos estranhos desejos de tantas raças, e até mesmo acreditei que conhecia os homens de nosso século. Ao menos um pouco.

Percebo, agora, que desconheço tanto quanto pensava conhecer. Ou seja, desconheço quase tudo. 

Estranhezas me acompanham.

E no medo encontro refúgio. 

São tempos bem estranhos os que vivemos.


*

Quem pensaria ou ousaria sublinhar:


O homem de agora anda

Com as mãos vazias

Pensando que o mundo vai acabar


A pressa insana pressa

Não resiste


Os movimentos do corpo soletram 

Angústia 


Diário, minhas mãos fabricam linhas 

E o coração sôfrego promete muito mais


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