No final da tarde:

Diário,


 Um fio de batom 

nos lábios frios

porque hoje é sábado.


A máscara cobre o sorriso 

e mãos ágeis se protegem.

De quê?


Talvez seja mesmo um momento

sem esperança. E escrevo rápido:

procuro sair da sombra.

*


Estranho mundo.

Pleno de palavras chulas.


*


O vento sopra.

Abelhas resistem.

Pássaros extenuados. Cada vez mais raros.


*


Palavras nulas.

Observo. Persisto. Grito.

Ainda tenho muito a dizer.


O país guarda ternuras

e quase naufragado

espera esperando devagar.


Na boca de meu povo

não vejo senão a fome.

Desmedida.




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