Rio de Janeiro, 10.01.2022

 Diário, 

Janeiro avança faminto.

Procuro delicadezas.

*


Um poema não se encontra ao acaso.

Nasce e respira entre letras vagas,

 ocasos e detalhes.

Quase sempre num sopro.

*


Vestida pela brisa da manhã 

a frase anda vazia.

Distinta de meus vestidos

que soltos em cabides trafegam pesados.



Alguns mais antigos navegam em sonhos. 

Carregam o cansaço de viver só ali perdidos

entre cores paradas e amassadas

destes dias de pandemia.

*


Femininas formas 


Sapatos novos ou gastos acompanham

um andar agasalhado.


Pés descalços respiram a nobreza

da forma.

*


Diário,  sim, traduza os dias

deste século XXI. 

Quando nos perdemos entre mentiras

e abandonos.

Quando a guerra é desejo de poderosos.

Quando a fome rodeia homens sem sapatos.



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