Rio de Janeiro, 3.01.2022

 Homens de nosso tempo


A mão pendurada segura a linha 

do horizonte. Fina e longa linha.

Quase desaparecida

em meio aos burburinhos soltos no ar.


O ar parado aguarda.

A mão se debruça no horizonte

e procura o traço. 

Respiro com o corpo todo.


Nesta luz tênue da manhã 

quase cega continuo a respirar.

A língua e os dentes pedem

com muita força. 


As árvores ardem de calor.

Ou no frio intenso

a neve branca se mistura às cinzas:

casas telhados lágrimas. 


Não são as imagens que nos chocam.

São os homens. 

Insanos e tristes.


Vulneráveis sempre.

Com as mãos sobre o rosto enlouquecido.

Eles praguejam contra si próprios. 





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