Tudo incerto

O movimento imenso do sol

não faz sombra na noite 

Incerta é a nuvem alta iluminada

No vento quente

um sopro    árido

E a manhã meio sem jeito

nítida e chuvosa

imóvel e inundada

carrega no rio Doce 

animais vivos de olhos    acessos


Bois e vacas nadam no barro vermelho

das inundações quentes

Tudo incerto.

Vagam vacas no rio vermelho

No barro quente não mugem as vacas

Nem os bois

Perdidos no silêncio das águas

no espaço    sem vento

Levados qual barcos    sem leme

nossos bois flutuam em vivo desamparo



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