Continuando a viagem

 3.

Chegávamos em Campos envolvidos por plantações de cana de açúcar. 

Era estranho e era doce o perfume da estrada.

A temperatura subia. O calor fervia transparente.

No posto da entrada da cidade lavávamos as mãos e os rostos cheios de pó. O suco de laranja descia leve desde os primeiros longos goles. Espessos goles.

A partir daí,  eu aguardava o início do Estado do Esp. Santo como se fosse um presente que chegaria logo. Surgia a Divisa com a fila de caminhões, e nossa viagem continuava rápida. 

Pequenos lugarejos encantados coloridos de casinhas e igrejas se aproximavam nas curvas feitas no espaço à nossa frente. Às vezes,  atrás de igrejas brancas e azuis, pequeninas cruzes deixavam à mostra o cemitério das almas do lugar. Eu não rezava. Pensava naquelas vidas que  descansavam ali na beira da estrada. Acaso ouviam o som das rodas dos automóveis?

Ouviam o riso das crianças?

Ou as buzinas dos caminhões que nos cumprimentavam?

Somos tão sós nas viagens longas de carro.

Somos a vida que corre ligeiro.



                          Rio, 5.02.2022

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