Diário, 9.02.2022

 Árvores abertas


Dobrando os braços ou abrindo-os suavemente

Alcanço flores novas que brotam perto da janela

Um lírio da paz

Botões de romã

E pequeninas flores brancas bem no alto

Dependuradas


Exílio ou fuga da pátria?

Às vezes, em fantasia vejo sobre o chão 

A fuga suave


Furiosa, destilo linhas

De línguas em vertigem

Contra tudo que acomoda

Um tempo bizarro demais


A porta e o chão necessários

Árvores em torno

No silêncio 


                               Para António Ramos Rosa 

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