Na tarde solar
Antes do outono chegar,
matam um país assim, tão derepente.
E ficam de costas e não se responsabilizam?
A crueldade desta guerra insana continua
sendo um espelho de nossos dias.
Quando esta guerra acabar, estaremos fatigados
de violência. Fatigados mais uma vez.
Depois da Síria, do Iêmen e da Ucrânia entre
outros.
Com os vocábulos ausentes e
a boca seca.
E sem escrever os ruídos.
Diário, aqui é o espaço que me abriga.
É o lugar da letra límpida e sôfrega.
Na leveza de um olhar ou na dor
destes dias sem claridade.
No lugar que lança palavras. Mas quem as
ouvirá?
Quem poderá perceber os ruídos da letra?
Depois da chuva ou depois que as luzes se
apagarem será sempre um espaço de princípio.
Na mansidão do abraço.
Na mansidão
de um devir.
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