Rio, 25 de março de 2022

 Das paredes altas da casa 

escorrem sons e lamentos.

Escuto Bach.

Não são os lamentos dele.

Mas os meus; antigos de tempos vividos.

Passam voando 

e se despedem.


No ritmo mais lento 

o piano solfeja

- dedo a dedo -

o violino arqueja.

Lá fora um helicóptero 

tonto circula

entre o azul.


A respiração amplia

sons de passarinhos passageiros. 

A música se acende

em passos ligeiros:

piano e violino 

voam juntos

nos dedos da manhã. 

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