Inverno carioca com exagero

 Um frio forte insistente 

 Golpes de vento

Noite alongada de silêncios 

Casacos e meias e cobertores

Sem esperança 

Vento nas ondas do mar

Manhãs vestidas de névoas

alargam os golpes da fome

O povo perde e cai

Aos olhos do mundo quem perde mais?


Inverno no Rio com desigualdades

No sul do país o chão escorregadio

O fogo no fogão à lenha 

O pão assa devagar

E o feijão catado a mão soletra 

perguntas sem resposta

Enquanto o povo geme

Enquanto os passos ligeiros 

procuram o futuro

Enquanto damos as mãos sobre a Constituição 



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