De manhã

                                      Para Régis Bonvicino


Eu estou de carro e vejo rapidamente

à margem da via 

as barracas de lona sem vida.

Restos da vida urbana se espalham:

 roupas dependuradas lavadas de chuva.

Homens simples de agasalhos rotos e rostos

 vincados de dor. De onde vieram estes homens

 assim sofridos em seus gritos mudos?

Por aqui, assim como por aí  há 

homens que se enfiam em buracos 

para escapar do frio e da dor.

Há casais que catam em latas de lixo a comida 

do final de um dia. Eu vi no bairro do Marais. 

Eles buscavam aflitos um pedaço de pão. 

Na calçada turistas tristes passavam.

Sem nada ver. 

Ele & ela se moviam rápido na 

sombra da tarde.

 Roupas tristes. Olhos míopes carregavam

ossos leves, eu vi.


                                      Paris, 21.09.2022

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