Com gosto de outono

 Queria uma janela acesa sempre

como se ela fosse parte de mim.

Às vezes soa no escuro 

a calma que me atravessa.

E lá dentro

bem guardado está o riso

e um tom quente de panela no fogo.

A tarde anda sozinha e avança.

Ardem em torno de nós 

conversas amorosas e mansas.


Do lado de fora da janela

as ameaças sacodem os céus.

Invadem quase tudo.

Enquanto as mariposas batem as asas

enquanto os ponteiros do relógio oito

fixo na parede

não se contraem.

Enquanto os versos crescem.

E os versos se abrem

em devaneios ousados.


Em confidência murmuro:

escuta tudo

e amplia o teu sossego.


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Em 11.09.2025