Com gosto de outono
Queria uma janela acesa sempre
como se ela fosse parte de mim.
Às vezes soa no escuro
a calma que me atravessa.
E lá dentro
bem guardado está o riso
e um tom quente de panela no fogo.
A tarde anda sozinha e avança.
Ardem em torno de nós
conversas amorosas e mansas.
Do lado de fora da janela
as ameaças sacodem os céus.
Invadem quase tudo.
Enquanto as mariposas batem as asas
enquanto os ponteiros do relógio oito
fixo na parede
não se contraem.
Enquanto os versos crescem.
E os versos se abrem
em devaneios ousados.
Em confidência murmuro:
escuta tudo
e amplia o teu sossego.
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