Caderno de verão

 A poesia chega faceira.

Os dias de calor sem cor

dizem muito pouco.

Compreendemos o tempo de horror

e medo. Dentro de casa

quando tudo parece calmo,

quando molhamos as plantas das janelas

e os pássaros ligeiros

cantam.

 A voz do poeta tropeça 

entre letras e ervas daninhas.

Entre as vozes das meninas 

que cantam nas festas de Carnaval,

e o rumor de uma guerra que quer se perpetuar.


(Pedimos licença para sonhar).


Rio de um verão quente demais, 2023

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