Domingo de carnaval
Amanhece silêncio
A mesa ampla ao largo
e um gole de café quente.
Na mente ainda lenta
imagens me revigoram.
Os pés descalços querem areias;
úmidas areias do mar.
Milho verde assado na brasa.
Água de coco. O biquíni antigo.
Vento levando a mão aos cabelos...
Guardando os lábios fechados.
Silêncio no mergulho salgado.
E um beijo dado de pé
quase fora das ondas brancas
(quando amanheço, de fato.)
*
Poema de ângulos agudos
Entre as linhas na beirada do poema
desperto. Reviro a pontuação.
Dobro a esquina do verso
no poema em ângulos.
Areias gemem e
as espumas saborendo o vento
sacodem
luzes azuis frisos de prata,
no meio de uma manhã
de caminhada. Na beira
do mar de Meaípe onde
o vento se dobra:
barcos circulam.
Passam as gaivotas.
Rio de pé no chão, 2023
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