Amanheceu em 2026
Estávamos por ali
e rapidamente a cena mudou.
Na sala entrou uma luz nova;
a luz do verso.
Surgiu brilhante
e muito sossegada pousou
entre meus dedos.
Recordamos outras tardes.
De noite ainda era cedo.
A falta de alguns
circulou nas fotografias.
Recordamos viagens,
respiramos o ritmo da dança.
A luz da vela acendeu sonhos.
Enquanto sorrimos o poema aconteceu:
ligeiro, leve
em sílabas livres
entre abraços lentos.
Em janeiro nos casamos.
Um dia atrás do outro.
Deslocamos móveis.
Carregamos muitas malas.
Agora um raro espanto
assiste a nossa velhice.
Rio de Janeiro, dia 6 de 2026.
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