Poesias de segunda-feira

 Na febre do desejo que a mão escreve

e saboreia. Em ligeiros solavancos,

os dedos se unem em alvoroço. 


Mas o calor atravessa a manhã 

cheio de sede.

O corpo sente o vazio.


Em linhas suspensas

a casa de portas altas 

abre-se ao espanto.


Não no curso do verão. 

Mas buscando calçadas 

que reúnem surpresas.


Gentes seminuas.

Bicicletas tontas.

Tênis e sandálias de dedo.


Asfalto quente

e a pele queimando.

O que se escreve arde.


Rio de janeiro, verão de 2026.


*

Sem título 


E é por um incompreensível dizer

que o poema corre.


Latidos de cães não apagam

o azul nem a sombra da palavra.


Espaço e olhar.

Silêncio e ruído. 


*



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