Um poema

Um poema na manhã nasce 

Passam letras entre meus dedos

Um poema só 

Não se confundirá


E seu caminho de sílabas segue

até o mar

Onde areias e crianças brincam

os sons correm entre risos


Mas em casa meus olhos

brilham com outras cenas

As sombras preparam paredes

e os versos crescem junto ao relógio 


Um poema só 

andando sem jeito

não viverá à toa


Sozinho no tempo

e respirando manso

de noite sonha


Dizem que funda mundos

mas nem todos os olhos 

podem ver


Quieto espera

o vento incerto

E o sopro de uma abelha


(Quem sabe na madrugada)

Nua e transparente



Rio de verão quente, 2026


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