De luto (pela natureza)
Passei a tarde de hoje de luto pela poda excessiva sofrida na árvore que batizei de minha, e que mora perto da janela de meu quarto.
Resolveram podá-la. A explicação dada foi o risco que oferecia de queda. Um terreno inclinado lança árvores e pássaros em revoadas sob riscos de queda. Quisera acreditar que as fortes chuvas do verão não sejam a causa verdadeira de tal decisão. Mas, por que cortaram tanto os hibiscos que viviam ao lado?
Observo os passarinhos procurando seus galhos prediletos desaparecidos.
E penso que nós, qualquer um de nós, também perdemos nossos pousos certos em algum momento.
Rio, verão de 2026.
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