Sábado de poesia


 Há quase sessenta anos morei em Washington por três meses. Na época, frequentei Walt Whitman High School. Foi mesmo uma experiência cheia de novidades e estranhezas ao mesmo tempo. Fui matriculada como estudante estrangeira. Há muito a contar sobre tudo isto desde a hora da entrada quando todos cantavam de pé o Hino à Bandeira e eu permanecia em silêncio até as aulas de francês onde eu era a melhor da turma. No curso de inglês para estrangeiros, eu também era muito boa e os outros alunos latino-americanos estranharam.

Eu estranhei muita coisa: a ignorância de minhas colegas americanas que não sabiam nem mesmo onde ficava o Brasil. O treinamento de incêndio com sirenes tocando e todos os alunos esvaziando a escola ao mesmo tempo. Ainda as aulas de typing, nas quais aprendi a usar a máquina de escrever; o que hoje me ajuda no teclado do computador. Detestei as aulas de ginástica e o banho a seguir obrigatório. E gostei da aula de matemática que eu dominava. Eles estavam atrasados porque eu já sabia álgebra. Contudo eu nunca estudara química, e o laboratório de química era obrigatório, então o brasileiro Roberto me ajudava a fazer os experimentos. Vejam só!

No vai e vem da vida, já vivi por lá... é bem estranho....


Hoje, releio Walt Whitman no livro Folhas de relva. Tradução de Rodrigo Garcia Lopes. Bilíngue. Ed. Iluminuras, 2024.

Um belo e importante livro. Creio que o li, a primeira vez, em inglês e tateando as palavras. Ou seja, estes versos foram e são ainda um acontecimento para mim!


PS. Foto de 1967-68 em Washington D.C. 

(No detalhe, a máquina fotográfica de meu pai que eu levara comigo sob o capô do carro de meu tio). Voilà!






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