No sábado

Posso criar o instante.

E, em seguida, apagá-lo.


Uma luz acesa no chão da noite

gosta de me seguir.


Há uma nuvem que assusta.

Branca enrolada no horizonte.

Longe. Alta.

Navega sobre o mar.


Abro o rosto do dia. 

Piso o chão. Escrevo. 

Sílabas sonoras.

Calmas e libertas. 


Ouço pios soltos

no espaço em branco.

Rio de agosto.

Quem habita em minha mão?


Quem gosta de chegar perto

do peito aberto

quando escrevo versos?


(Com o sopro

ou no voo da 

escrita).


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