Poesia de agosto e de sufoco
O calor amanhece.
E não tarda o vento.
Nas bordas do mundo
o fogo come tudo.
Os rios secam amarelando a terra;
verões europeus.
No sul do Brasil
um vento quente se
alastra bravio.
O mar subiu?
A lua se escondeu?
Pássaros fogem do vento.
Ondas de calor sobem e descem.
Misturadas às sombras
de notícias loucas,
políticas raivosas.
Um vasto agosto.
Em meio aos burburinhos
muitos consomem
qualquer coisa nas telinhas.
A luz do horizonte
pisca. Bombeiros correm
e transpiram.
Areias do mar brancas e douradas.
E arde o trabalho com a escrita
no aroma quente do vento.
Rio de Janeiro bafejando,
ainda no inverno,
2026.
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