Diário
Poemas de final de junho 1. As horas desmaiam. Os minutos estabelecem com o dia um acordo sinistro: Não nos olharemos mais enquanto o poema forçar passagem sem dizer o que deseja! Não me reconheces? Nem mesmo sabes o instante da nuvem - jovem e distante - que diz a aurora. A voz de um dizer “adeus” se estabelece quando a algo renuncias. O dia passo todo contigo. Ainda assim estás tão longe. Corres junto com os ponteiros e só nos encontramos em ligeiros e fugazes momentos a cada quarto de hora. O poema vai chegando mais perto Acordou solto na voz rouca da manhã. Os ponteiros do relógio observam o dever cumprido. Dançam juntos o baile da vida. 2. Fui ao mar e aprendi tanto Entrar devagarinho Cair na espuma doce dos braços salgados Dos mergulhos fundos Deixar o ar sair pelas narinas abertas Ao longo de um interminável tempo 3. Os muros quase sempre brancos As calçadas com buracos Os pés subindo ...