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Memórias diversas

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                                           Lançamento do livro Leminski, guerreiro da linguagem.                                             Livraria Marcabru com Isadora Travassos e Paloma Vidal. 2003                                                        Lançamento do livro Contornos, livraria Marcabru,                                                         1991. Com minha mãe, Elza, me abraçando.                         ...

A aranha rubra

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  Editora Lumme, 2022 Projeto gráfico de Francisco dos Santos

Café letrado em 2001

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Augusto,  Paloma e eu organizando estes encontros na livraria Contracapa.  Inesquecível!  Os escritores Sérgio Sant'Anna e André Sant'Anna.

O horror em série

 Quando não se tem como nomear, silencia-se? Horrores em série.  Capítulos trágicos.  Cenas inimagináveis. Palavras de governantes sem escrúpulos.  Um país fora das normas de humanidade.  Qualquer que seja a direção tomada não damos conta de pensar o absurdo do momento. Rememoramos as falas de uma reunião presidencial: " ...abrir a porteira para deixar passar a boiada..."  bois, garimpeiros e traficantes de toda ordem, a saber, armas, drogas, madeiras e peixes circulam neste submundo bolsonarista em caos. Rio de Janeiro  16.06.2022

Mais um momento do livro

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Fragmento do livro Caligrafias

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Caligrafias

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Rio de Janeiro, 10.06.2022

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 Recebi, ontem, o livro O amor em cartas  com as delicadas e impressionantes cartas  trocadas entre os meus avós maternos:  Vovô Lins e vovó Bráulia. Leio em voz alta procurando o tom desta  correspondência de amor vivida em 1916- 1917. Impresso na editora Milfontes. Vitória,  2022 O livro foi organizado por Jussara Martins  Albernaz. E contém fotos em pb (arquivos de  família).

Amazonas em risco

 Destes dias tristes e frios guardarei entre os dedos  lágrimas de poetas Guardarei o canto dos guerreiros em luta no Amazonas E as sementes da sumaúma  para jogar no seio da floresta Daqui deste chão estranho à sombra de paredes altas as mãos embaraçadas  rabiscam a tarde lá fora No fio emaranhado se desenha algo infantil: Canções de roda Cantigas ao vento e orações  Em olhares e sorrisos acesos como tochas a folha da palmeira do açaí guardará a pureza E na claridade do rio espesso o sol deixará ver jacarés  peixes e cobras.  Curumins Os rios são fronteiras ( a água e a terra entre árvores e sombras) Vidas humanas em risco no ritmo dos frutos em movimento Daqui destes dias tristes guardarei a força de um devir Onde a palavra grita : resistir

Rio, 8.06.2022

 Diário  São tempos duros. Tempos de covid. Leio Virginia Woolf: Mulheres e ficção.  Só consigo ler Virginia. As 4 doses de vacina parecem me proteger. Mas quem saberá? * "Em nossa era psicanalítica, estamos começando a nos dar conta do imenso efeito do ambiente e da sugestão sobre a mente". P.11 E, comento, que : Estes ciclos de covid deixam a todos nós mais frágeis.  Eis que nossa visão do mundo parece ter sido capturada com ciclos de covid e de barbáries em séries.  O espírito poético me sustenta. E os detalhes das notícias que caem sobre a mesa da sala deixam ver onde estamos. Faltando apenas poucos meses para as eleições ainda temos que ouvir barbaridades, ousadias de "meninos grandes"  aprontando e pegos em suas mentiras horrorosas.  Ou bem pior, ameaças e mortes. A ficção e a poesia estão no meu norte.

Rio de Janeiro, 5.06.2022

 Diário  Resfriada.  Recostada pelos cantos. Adormeço e amanheço.  *

Poesia

 Palavra   Lavra rio de letras Palavras vivas Palavras mortas   Línguas e anseios No chão entre bombas  E sapatos   Rasga o céu  Nuvens vapores Soldados e idosos   Paredes janelas voam Tombam pontes  Cabelos cicatrizes vestidos   Lavra a palavra Procura Um patamar fora da dor

La Revue des Ressources

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https://www.larevuedesressources.org/journal-de-solange-rebuzzi-suite-4,3204.html Nova postagem de meu Diário com tradução de MÁRCIA RAMBOURG  Desfrutem desta impressionante gravação, que recebi como cometário de uma amiga francesa ao meu verso em um dos poemas acima traduzido. Merci, Marie! Os versos de Deleuze, (ele mesmo) sempre contundente!

Hoje

 Caros amigos e leitores amigos, A escrita, por aqui, entra em outro ritmo. Um ritmo mais alargado em uma frequência que não será mais diária.  Vou me deter especialmente nos livros que estão em andamento. Os livros que me chamam e pedem dedicação.  Vocês poderão ler e comentar, se desejarem, os textos e poemas escritos durante a pandemia. Estes que agora estão e estarão, também, publicados dos livros Diário de um tempo indeterminado e Caligrafias. Ou traduzidos na Revue des Ressources por Márcia Rambourg.  Agradeço imensamente a presença de todos durante estes anos, desde que comecei a escrever, aqui, neste blog. E nos veremos em breve, certamente. Rio de Janeiro, outono de 2022

Rio de Janeiro, 24.05.2022

 Estranhamento E corre o Rio neste maio maior meio sem jeito e com ousadias Corre escorre sufoca Morremos poucos ou muitos e todos os dias morremos um pouco E a cidade infernal invernal  não se pergunta sequer se pode ser  descrita de forma mais humana Por aqui corre um Rio indiferente  * Lamentos. Delírios  Entre nós corre de tudo E longe daqui onde cortavam trigos bombas explodem * Há um rumor  de fim de tudo * Há homens estranhos que regressam entre os rostos de cidades destruídas  * E bombas explodem  na desordem longínqua  Na desordem da terra *

Segunda-feira, 23.05.2022

 Recomeço: Leio, anoto. Dialogo. O frio na cidade rodeada de mar traz a bruma das manhãs geladas de vento. Meu livro Caligrafias está a caminho. * Nem antes nem depois  No intervalo do mar onde a maré aguarda e guarda  restos de tudo e cada vez é mais uma a onda sai de seu eixo e se desloca lenta a murmurar baixinho: junto à boca do mundo com os lábios úmidos  a areia contorna pernas e pés  * Pedaços de papel  Palavras molhadas de sal Na boca do mar o silêncio indiferente Flutua

Rio de Janeiro, 22.05.2022

 Cabeças, mãos e pensamentos A cabeça, os olhos e o pensar saboreiam o enorme livro do mundo.  E tudo corre por janelas abertas circulando entre pés nus  mãos e memórias que permeiam cada gota de suor de nosso corpo. * Nos suspiros do amor ou no fôlego desmedido do sofrer; o corpo desvenda mais um pouco. A alma sempre mais contemplativa aguardando respira com os braços alongados. * Diário  De um jeito ou de outro, devo reconhecer, neste diário, que os dias pré-eleições presidenciais trazem emoções diversas. É quente o clima, inclusive entre não candidatos. A conversa entre um inteligente humorista e um presidenciável deixou muito visível o que já sabíamos:  O 'calcanhar de Aquiles' de um candidato surge quando menos se espera. 

Diário, 20 de maio de 2022

 Hoje é o dia mundial das abelhas! Zum-zum-zum... *  Zumbidos  Abelhinhas e rainhas Um oceano de mel Todos os dias em asas Perfumes e flores. Presenças aladas  E florestas ramos e raminhos Abelhas douradas ou negras Abelhas resistentes  Zumbidos no ar consistente Dentro de casas arrumadas Em camadas meladas Ah, abelha rainha Faz zumzum Faz zumzum E faz mel         Para Caetano Veloso,  e Waly Salomão, claro

Diário, 19.05.2022

 Faz frio. Os homens se encolhem com as mãos no bolso ao caminhar. Até os ruídos se reduzem. Não escuto os latidos dos cães dos vizinhos. Recebi mais uma prova de meu livro Caligrafias, ainda com algumas correções a fazer. Poucas. Na memória, o caderno de caligrafia da infância com as letras desenhadas a lápis no capricho.  Faz frio. As meias têm seu lugar. E saem,  rapidamente, das gavetas. Pés aquecidos guardam o calor corpóreo.  Nas calçadas os moradores de rua gemem de frio. Ontem, vi um homem alto e magro arrastando seu colchão no final do Leblon. Um outro, já conhecido, olhava os buracos no chão como se examinasse os espaços por onde circula. Na beira da estrada todos os homens se parecem. Mas, não, não são iguais.

Rio de Janeiro, 18.05.2022

 Murmúrios  Um tempo estranho de terrível sordidez A cidade coberta de frio e desalento Murmúrios e lamentos O mal se estende pelo país  * A escrita recomeça  Frente à nossa gente Mentiras descabeladas  E cai a lua no horizonte perdido * Eu canto e procuro um recomeço  Na noite de luar procuro o meu país