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Documentando caminhadas III

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 Parc du Luxembourg, em 14.09.2022 É sempre uma bonita emoção retornar aqui.

Documentando caminhadas II

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         Livraria curiosa.          Hotel onde Freud morou durante um ano.          Livros raros no Parc du Luxembourg.          Prédio onde já moramos por um mês.           No jardim da ENS.           Ruas e avenidas. Nota: Revendo lugares onde já ficamos hospedados, caminhando pelas ruas e encontrando amigos para abraçar depois desta pandemia que nos entristeceu a todos. Buscando ficar na contramão do turismo, fomos visitar a ENS, Paris e o supermercado Bio: Le Retour à la Terre, perto do Panthéon onde, também, fiz pesquisas sobre os Manuscritos de Ponge na Biblioteca Jacques Doucet em 2011.

Paris, 15 de setembro de 2022

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 A cidade de Paris se prepara para as próximas Olimpíadas. Há muitas obras e restaurações agora. Em função disso, também, alguns engarrafamentos... Todos têm pressa mas ninguém buzina.

Um fato rememorado aqui

 Eu li: Sarah Bernhardt, que também viveu aqui neste bairro, gostava de dar boas e alegres festas em sua casa. Uma noite convidou, entre outros, o escultor Antoine Bourdelle. Ele mesmo contou esta história para sua mulher que não estava presente nesta noite. Nas festas excêntricas, e sem hora pra acabar, ela gostava de cantar e de dançar para seus convidados. Havia sempre muita bebida. Bourdelle tentou ir embora mais cedo, mas Sarah havia trancado a porta e não deixava ninguém sair. Foi preciso insistir muito para ela abrir a porta e deixá-lo partir durante a madrugada.

Documentando caminhadas I

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  Relembro que Philibert de l'Orme foi um grande arquiteto de seu tempo. Um mestre do Renascimento. Nascido em Lyon, estudou na Itália e foi influenciado por seu pai que, também, teve a mesma profissão.  Um simples pedaço do bairro guarda tantas histórias. Ler a cidade que nos acolhe assim como ler os dias em que vivemos é fundamental para entendermos a nossa vida. Nossas escolhas e interesses passeiam pelas alamedas que nos abraçam.

Paris, 14.09.2022

 Ontem Acordamos tarde para os nossos moldes. No Brasil acordamos sempre cedo. Ainda estamos sentindo a diferença dos fusos horários. O dia avança faminto de tudo ver e viver. A cidade me parece mais barulhenta. As motos se enroscam entre carros e bicicletas. Menos alegre a cidade reclama dos excessos. Ainda há idosos andando sozinhos e fazendo suas próprias compras. Algumas pessoas andam e falam nos celulares ao mesmo tempo. Mulheres distintas fumam cigarros eletrônicos enquanto aguardam o ônibus passar. Fumam a vida tensa. * Eu soube que o nosso presidente carregaria sua loucura para a Inglaterra. Sem comentários.  * Em tempos difíceis esperamos os novos ares. 

Paris, 13.09.2022

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 Comento,  Por aqui não há rainha nem rei. O bairro onde estamos instalados tem uma arquitetura fantástica. Prédios de no máximo oito andares exibem cores distintas, espaços verdes em pequenos jardins, portas antigas de ferro, escadas estreitas e estranhas de um outro tempo. Século XIX.  Mas vi algumas mulheres circulando com um certo ar de princesa. E há o mal gosto de algumas brasileiras que insistem em usar cílios postiços até para viajar de avião.  Em tempos difíceis é necessário acomodar os valores em outros patamares. * Zumbido de abelhas em motos no trânsito  entre bicicletas, carros e ônibus. Um enxame delas de repente.  Ninguém se assusta... * Jovens navegam no trânsito de Paris, mas by bike. Não há turistas por toda parte, mas há beaucoup.

Paris, le 12 septembre 2022

 Ontem eu vi Ao lado,  no canto da calçada, algumas barracas de lona  uma ao lado da outra eu vi. Os homens que ali moram  são nomeados: "os sem abrigo/les sans-abri".  (Sem roupa, sem dinheiro, sem comida, sem abrigo). A voz encontra seu lugar mesmo assim. Eles, os sem abrigo falam entre si e cumprimentam os passantes na  calçada. Homens de nosso tempo: sem  calefação, sem gás, sem roupa  e sem dinheiro. (Os frutos da guerra ou da ganância se espalham).

Ainda

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  Caminhar, caminhar. Africanos a caráter caminham aos domingos. Famílias inteiras de franceses almoçam juntas. Um jovem de Bangladesh vende milho verde assado na brasa, na esquina do boulevard Malesherbes por 1euro. Não fala francês.  Et voilà. Paris.

Le 11 septembre 2022

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 Oui, nous sommes à Paris une autre fois. Et le temps est ensoleillé! * Chegamos, ontem, exaustos. Alegres, cheios de livros, cheios de luz...

Amanhã e depois de amanhã

 A manhã acordou ardente  e sem tropeços. Enquanto as horas piam junto aos pássaros  da janela da cozinha permaneço aquecida ao sol. * Depois uma reflexão tardia traduz-se em versos.

7 de setembro de 2022

 Triste e trágico este 7 de setembro! Um presidente insuportável.  (Discurso vazio e vergonhoso). E uma cena patética na praia carioca. * Duzentos anos de Independência nos levaram a  isto? Estamos indignados! *

Rio de Janeiro, 5.09.2022

 Uma só prece                                                                     "Em vez de peixes, Senhor,                                                                     dai-nos a paz,"                                                                                            Ana Luísa Amaral Pedimos à tarde que as luzes deste dia sejam a nossa companhia ao escurecer. Mas, não só as luzes deste setembro frio, também...

Lamentos

 Ainda lamento tanto. Os horrores permitidos e não investigados. O coro dos afogados sem ar.  Armas disparadas à toa.  A faca (da língua)  afiada. As mãos das mães sem alimentos suficientes e  os bebês que não são socorridos. O lixo no mar. O lixo de tudo. A poluição da guerra lamento tanto.

Rio de Janeiro, 3.09.2022

 Setembro sem soneto Setembro chega.  Um vento frio ronda. O mês corre em nossas veias,  vidas, vias até encontrar enfim o fio das escolhas.  Uma voz. Mil vozes.  É preciso falar. Não se calar. A voz ecoa. É preciso votar. Daqui a pouco seremos muitos. Já estamos de mãos somadas.  Há um jardim que nos envolve.  Escrevo à flor da distância.  Escrevo sem medo. Escrevo.

Comoção e tristeza

 Nota de solidariedade ao povo argentino: Abraçamos nossos amigos argentinos. Estamos preocupados com a onda de ódio que  se espalha na política. E sentimos vergonha com  o que vemos acontecer ao nosso redor.

31.08.2022

 Em realidade: Nada é por acaso e tudo é muito. Tanta coisa ocorre na realidade e ao mesmo tempo. Pedras no chão   e chuvas e inundações nos EUA, no Paquistão. Uma pedra e uma flor no jardim ao redor; um único beija-flor verde e bancos brancos de pés de ferro. Pedaços de nuvens resvalam entre canhões de verdade na guerra que se abre sem flor  entre farrapos humanos. Realidade aberta em cinemascope. O que brota e a quem desperta a imprecisão destas imagens de agora? Loucos somos nós ou aqueles que assim nos chamam?

Rio de Janeiro, 30.08.2022

Homens e mulheres vestidos de políticos Batem os corações. Lavam-se as roupas sujas. Vestidos ou nus somos iguais e  somos muito diferentes. De gravatas coloridas e paletós sóbrios  em Brasília alguns pensam que são gente grande; de sorrisos lavados (nem sabão nem verdade) são meninos travessos; de batom e perfume elas, as candidatas, cheiram bem e cativam; e o estadista Lula, sempre impõe respeito: as mãos dele não ficam trêmulas e as palavras são respeitosas. O homem 'de olhos duros' na tv só fala em privatizar. Sorry , é horrivel! E o nordestino com estudo diz e acontece,  às vezes, passa do ponto. Batem os corações no peito,  a coisa é séria e tínhamos medo, mas não tememos mais. ;  * Crepúsculo de um século A poeta Wislawa acredita que "a imbecilidade não é cósmica" nem a sensatez é alegre. Caminhando em passos curtos pelas veredas de nossa cidade vejo miséria pelos cantos das calçadas. Amanhã é quarta-feira e os soluços da fome acontecem. * As conversas es...

Rio de Janeiro, final do dia:

 Fala sério! Assistir, ontem, ao debate dos candidatos a  Presidente  da República   na tv exigiu calma e compostura. Explico: uma  mistura de ataques surpresas, falta de  noção, mentiras, ódios,  etc... E, ainda sobrou tempo e espaço pra vaidades  desmedidas e falas violentas às mulheres. Mas, repito que já estamos cansados de tanto  argumento vazio. Chega de blá-blá-blá.  A terra não é plana nem o Brasil está  bombando. *

27.08.2022

Entre perdidos e achados: um sonho deixado ao relento em uma nuvem cor-de-rosa  junto ao morro Dois irmãos. Deixei cair uma aliança no mar e a enviei aos deuses. Com olhos míopes e sem óculos  perdi tanto. Agora com o início da catarata vejo tudo camuflado ou enxergo além da medida. As pernas de joelhos gastos parecem pedir descanso. E os dedos das mãos clamam demais. Não esquecer de colocar tudo em ordem; do pensar até o sofrer (na mala da vida arrumar sem  ordem alfabética).