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Poema?

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 Do livro: O riso do inverno, p.39 Publicado pela 7letras em 2018. O poema foi publicado antes na Revista da  Academia Brasileira de Letras n.90, 2017.

Nostalgias

Quem alimenta este momento obscuro e triste onde as mortes se somam no dia a dia  de forma inesperada e à margem na poeira do cansaço e do silêncio? Que lugar parece protegido mas não é,  porque as nuances da manhã  na nostalgia dos abraços  são movimentos de perigo. As dobras de um vestido uma sandália alta vermelha  e o frágil corpo: princípio e fim de uma saudade. Quem saberá se é possível  esquecer a dor que respira agora? Caminham conosco ruídos e gestos destes tempos duros demais. Rio, 29.01.2021 Livro: Caligrafias, p. 138

Sobre o nada

Não se diz Tudo  Nunca Nunca  Puro Nada Livro das marés , p.160.

Diário

Sinto-me impotente. O mês de outubro tem sido de constante sofrimento. Os dias correm entre guerras insanas no mundo e vivemos um fracasso humanitário, certamente. Apesar disso a maioria das pessoas decentes, me parece, ainda buscam pensar. Nem tudo começou no dia 7 de outubro, pois a raiz desta crise entre o governo de Israel e os palestinos é sobretudo colonial. A relação dos cárceres com a tecnologia militar de Israel, que é a mais forte do mundo, é sádica. A questão do conflito não passa pela religião (alguns judeus ortodoxos reconhecem).  O silêncio de inúmeros países diante desta matança realizada bizarramente pelo governo de extrema-direita de Israel denuncia que grande parte da comunidade internacional está envolvida. E consentindo? Felizmente, alguns políticos falam com lucidez, e este é o caso do francês Dominique François de Villepin e do espanhol recém eleito Pedro Sánchez . Mas, o sofrimento de muitos de nós é enorme. Há muitas mentiras girando nas redes sociais. As pe...

Poesia inquieta

 Esta voz que sobe alto de repente e diz tão pouco Bem podia aquietar-se por bons e longos instantes A luz do dia canta uma canção de primavera E sopra nos olhos do mundo um outro despertar Somos raízes de córregos que querem novos ventos enquanto as mãos e os pés suportam o peso do horror Sem praia visível por enquanto sem sinal de calmaria os temporais varrem quase tudo e o corpo vivo resiste As tardes quentes avançam na direção de outras primaveras Correm versos e letras nem sempre costurados São telas e cenas rabiscadas de cores que nos contam de momentos loucos de noites insanas Dos dias e minutos povoados de lama no meio da vida no meio da morte onde tudo clama: misericórdia! Livro das marés, p.122

Domingo de trégua sem trégua

Dias e noites indefesos.  Trégua sem trégua?               Quando os mortos silenciam a claridade se torna opaca. Respiramos mais lento com o corpo todo aguardando dias mansos. A voz fundida nos pulmões  e os dedos unidos em prece carecem de momentos nobres.                  Quando somos tantos e somos indefesos.  No espelho de nosso tempo  refletimos tão pouca luz.

Hoje é sábado

  Lacunas Há espaços em branco  e florestas devastadas Ventanias e grandes vagas Há asas e aspas dentro de tempestades Inseguranças  Risco de morrer Palavras espaçadas  Encruzilhadas Silêncios virgens de fé  Não se separa a pisada de uma invasão  das trevas de assassinatos bárbaros  Enquanto imensa e triste a noite arde alta entre a lua e as pedras do chão  Abraços de alegria e espantos tecem e temem o amanhã 

Amigos,

Hoje é um dia importante dentro deste conflito dramático que se desdobra entre Israel X Hamas. Retornam alguns reféns de ambos os lados e todos comemoram. Mas, atenção, quando esta trégua acabar os médicos não conseguirão parar os bombardeios em Gaza, e nem poderão cuidar de seus pacientes e interromper as diarréias que acontecem sem os recursos básicos necessários (água potável, alimentos e medicação). Diarréias causam desidratação e matam crianças e idosos, principalmente. Assim, há motivos de comemoração mas poucos. Lembro que as crianças e os idosos de Israel retornarão para seus lares junto a seus familiares queridos.  E os reféns-prisioneiros palestinos retornarão para onde? Muitos não terão mais casas nem amigos. Muita gente morreu durante os bombardeios cegos de humanidade.  Ainda será necessário não só envios de milhares de caminhões com abatecimentos de tudo para Gaza, como um olhar responsável e digno sobre esta população.  Meus caros, é preciso frear esta barb...

Signo de Peixes

Meu signo é das águas contudo a terra me acomoda dentro e fora do vento A generosidade da luz da lua anda perto ao longo do tempo O vazio desenha formas e rostos Todos os rostos perfeitos de ausências * Praias devoradas pelo mar espantando carros e avenidas Tardes longas de ruídos E confusos homens decidem o futuro enquanto crianças morrem em casas bombardeadas Em Gaza Tudo acontece. Tout arrive. .. O tempo solitário espera

Livro novo: Laços, lumme editor

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Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2023

 Amigos e leitores amigos,                                                           "As palavras são mais velhas que nós e o texto não tem idade."                                                                                                                        Edmond Jabès Cada vez que um governo de extrema-direita ganha uma eleição, a humanidade anda para trás. Cada vez que uma guerra acontece no mundo perdemos um pouco mais a nossa humanidade. Cada assassinato que acontece ao nosso redor mata algo dentro de nós. Assim, que estamos vivend...

Tristeza e preocupação

A posse do novo presidente argentino é lastimável! Um homem desequilibrado assumirá um país querido e importante!

Domingo de pingos

Pintar, escrever e pensar. Apagar a história não é possível.  Chove lá fora. * Colocar os pingos nos "is". Abrir o instante. Já são mais de 4300 crianças assassinadas em Gaza. * Mas quem quer ver silêncio e lágrimas? Houve uma vida ... Muitas vidas pulsaram por ali. * Um sopro de escrita. Muito pouco.

A nossa morada

A terra não é estreita Mas a Faixa de Gaza é  O mar é para todos Mas não na Faixa de Gaza A água pura é uma dádiva  Mas em Gaza  ela não circula livre A luz deve prover os nossos dias Mas não é assim em Gaza A terra e suas casas são um bem  aos habitantes e cidadãos  Mas não é assim em Gaza Alguma cousa muito estranha acontece  por lá e nos arredores: Homens mulheres e crianças são perseguidos   E mortos indistintamente há décadas  Ser palestino é crime? Quem determinou esta regra desumana? Até quando alguns homens vão violar leis  humanas? PS.  Isto não é um poema. O que acontece em Gaza não é uma guerra. * Eu grito  junto com os palestinos  Minha voz soa No poema  a voz do escrito Cresce ressoa

Hoje é sábado

 Repito Brodsky: "A literatura não serve para salvar o mundo, mas é um extraordinário acelerador da consciência." * Escrever no espaço  Com o pulso inclinado e o rosto tenso o que escrevo tem cores e cortes. Sombras azuis ou negras. O que me move é denso. E ondula cavalga no mar  de pedra em pedra. No sal da palavra alimenta sonhos. Os dedos devagar seguem o braço do verso. Desejando a areia o sopro do vento e o impossível. O espaço em branca lâmpada  não alcança o desejo inteiro. A boca seca escreve letras alertas e  alguns pontos sem vírgulas.  O rosto contraído lê  com o olhar aquecido  as páginas do mundo. Sem pausa a violência desmedida  ameaça tudo e percorre a terra de Gaza. * O chão  A folha  A mão  O que não finda. Recomeça. 

Um teatro de guerra sangrento

Qual o tempo das armas? ( a pomba da paz voou... E para bem longe!)

Agonia e muito mais

Gritarei pelos versos até cair de cansaço  e ouvirei os sons de sofrimento do mundo em cada rosto fatigado.  A humanidade que pulsa em mim treme neste novembro assombrado, a partir de um verão que chega rápido. Escuto muito de tudo. Meu corpo vestido de negro e de luto não reclama. A jovem que viveu comigo, hoje escreve olhares e lamentos. E muito mais. Escreve cores sombras bombas dores lágrimas tormentos. Amanhã e depois de amanhã  letras números sangue e silêncios. Até mesmo as ruas podem  desaparecer (em Gaza).

Free Palestine!

 Somos todos crianças palestinas!

Nasci no Brasil

Nota desta manhã de primavera: Nasci de pais brasileiros no continente da América do Sul. Felizmente! Sinto vergonha dos Estados (Des)Unidos da América. Poetas, músicos e artistas além de estudantes de tantas linguas, e milhares de pessoas ao redor do mundo gritam em inglês contra a barbaridade desta guerra louca, apoiada pelo governo americano.  Qualquer que seja a explicação para esta série mortífera de ataques diários na nomeada guerra de Israel contra Gaza, apoiada pelo governo dos Estados (Des)Unidos da América só traduz quão insanos estão muitos homens e governantes do mundo. Que horror viver este momento de mundo de tanta barbárie!

Um mar aberto

Um mar sem navios de guerra Um mar para todas as línguas  Um oceano de perfumes vivos Areias, crianças e manhãs  Perguntem ao céu sobre os desejos antigos Perguntem ao vento mais que ao tempo As frias noites sem sustos partiram e os carinhos estão dados aos mortos Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2023