Onze horas da manhã de ontem

Imersa na teia do pensamento 

Penso no povo e no verso

E penso nesta manhã ainda fria

O corpo tenso

Em meio às dores de meu país, 

penso.


Manhã de neblinas

Infinitas caras ardentes

Na cena, os humildes e os mais jovens

no século vinte e um

As cidades, os bairros

e as florestas que nos pertencem...


Na luz do mundo ainda

há muito a viver.

Perto, bem perto, poeta

estou aqui

A rua de pedras soltas

ostenta asperezas e fragilidades.



Rio, primavera de 2026


*

Dias de luta sem trégua 

Dias grandes de esperança 

Passam as horas e os minutos


Há os que carregam o ódio 


O sol anda por perto 

O jovem toca e canta

O outro dança seu sorriso 


Mas alguns não sabem dividir

Sim, carregam algo do horror.


*

Poesia do momento


Ressoam notícias 

em meios às imundices

E nas esquinas, lá em cima,

as palavras guardam sonhos


Poeta, somos resistência 

Nossa casa surge nas palavras

Abrigamos a rima

E o canto do livro 


A lua decora o mar.




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