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Rio, 29 de fevereiro de 2024

 Diário, Anoto minhas leituras pelas bordas dos livros com comentários curiosos. Vou e volto aos Diários de Virginia Woolf, ao mesmo tempo em que retomo as cartas de Francis Ponge escritas durante a Guerra, no livro organizado por sua filha Armande. Ambos viviam tempos bizarros, cheios de carências e dificuldades. Ambos aguardavam no século XX a guerra terminar.  Escritores e personagens de nossa vida literária: uma inglesa e um francês, ambos com reconhecimento internacional; escritores criativos que atravessaram tempos duros demais escrevendo e testemunhando. Uma outra vez, estamos nós, aqui, diante das guerras e do desalento. Pequenas ou grandes guerras nos devastam. Polícias violentas e milícias também, soldados e canhões & bombas espalhadas no chão do mundo não são necessários. Só traduzem o atraso de nossos governantes, de nossos dias.  Personagens somos nós todos neste momento da história, mesmo quando testemunhamos em palavras este ou aquele horror. O século X...

Estendo a mão

Estendo a minha mão  aos palestinos. Eles compõem a nossa humanidade.  Assim como os judeus (de Israel ou não), os turcos ao redor do mundo, os chineses etc & etc. Eles dançam lindamente e pulam e sorriem e choram de emoção como todos nós.  Estão sendo massacrados os jovens palestinos e as crianças palestinas em Gaza.  Os idosos por outro lado contam suas histórias aos mais jovens e dizem mirando o infinito: "Daqui a dez gerações a Palestina continuará sendo a nossa terra como sempre foi." * Mundos diversos Diversas gentes Entoando palavras ao mar Enquanto o chão varrido de violência cala E lembro Paul Celan em sua dor imensa E lembro muitos outros poetas * Não,  não é possível concordar com esta devastação e nem com tantas mortes. Rio de Janeiro onde tudo acontece, verão de 2024.

Alma de poesia (2)

E as crianças palestinas partem. Inesperadamente.  Partem como se fossem folhas de papel ao chão. Almas leves. Olhos marrons perdidos.  Olhar o mar. Procurar o pão. Viver sem água e sem escola. Perguntar aos pais o que vamos comer hoje. Deitar no pó das paredes da casa destruída. Quase não falar. Quase não andar.  E partem as crianças palestinas de repente demais em Gaza. De forma violenta deixam a vida os palestinos de todas as idades. Saem da vida despidos de esperança.  Ou não regressam à infância nem à pátria. Estão obrigados a desistir de tudo. Alguns adultos devem procurar a subsistência.  E as luzes brilham longe E gritam as paixões  A busca obstinada Os braços morenos  estendidos ao alto Mais de mil luzes no céu 

Notícias de Resistência:

 1. Ontem a Jordânia jogou de avião no mar, perto da praia na Faixa de Gaza, alimentos que foram recolhidos pelos palestinos bravamente. 2. Hoje a Dinamarca se manifesta, lindamente, nas ruas sempre a favor dos palestinos. 3. O Hezbollah lançou foquetes em uma zona industrial de Israel. 4. O presidente americano Biden fala de cessar fogo em Gaza enquanto toma sorvete. Sem noção! 5. E a França precisa continuar sendo campo da paz. Mas, estranhamente, o presidente Macron anunciou ontem que "o ocidente poderia enviar soldados para defender a Ucrânia ". My God! Todos os fatos confirmados com imagens no Instagram ou em jornais da tv de seus países. Voilà! * E a vida carece de cuidados e os homens precisam se respeitar mais e mais. E viva a diferença!

Alma de poesia

A noite chega silenciosa. As crianças da Palestina procuram onde deitar. O sono chega primeiro. Depois chega o medo. Depois chega a sede e a fome desmedida. Depois a escuridão toma conta de quase tudo. Quando os tiros e as bombas são escutados na casa dos vizinhos, as crianças não choram. Esperam a alma do mundo alcançá-las em abraço fraterno.  * Noite quente no Rio de Janeiro, 2024 sem abrigo.

Sábado de manifestações no mundo contra os ataques de Israel em Gaza

Escrevo: Ontem, aconteceram várias manifestações na Itália e, muitas delas, foram sufocadas pela polícia italiana que, agora, é sustentada por um governo de Extrema-direita. As cidades de Milão, Piza e Florença se manifestaram ativamente a favor dos palestinos.   O mais bonito porém foi a manifestação em Tel Aviv. Lá alguns judeus se manifestaram contra o massacre pedindo a demissão de Netanyahu.  Nesta semana também vimos uma enorme manifestação em Hamburg na Alemanha. Todos pedem o final desta invasão insana.  * Homens e mulheres do mundo gritam suas insatisfações diante do horror da violência deste genocídio e da Extrema-direita. Mas, aqui no Brasil ainda querem proibir o nosso presidente de falar sobre o assunto. Só podemos constatar a pressão de grupos dominadores, economicamente falando, que desejam silenciar o governo Lula. Até mesmo esta ridícula manifestação paulistana traduz o atraso onde ainda estamos metidos. Haja paciência! A democracia suportará tantos ...

O caos no Salão da Agricultura em Paris e muito mais

Hoje é sábado: 24.02.2024 As manifestações dos agricultores tomaram o espaço do Salão da Agricultura em Paris. Os animais sendo protegidos por alguns agricultores e os policiais prendendo algumas pessoas na chegada do presidente. A insatisfação com o Governo Macron toma um tamanho enorme. Ele não sabe dialogar e se mantém em uma posição arrogante e narcísica, que alguns governantes adotam. Lastimável! Foi vaiado insistentemente.  * Enquanto isto, no Brasil, o nosso Lula volta a afirmar seu apoio aos palestinos. Claro, firmando uma aliança humanista com muitos políticos, e homens sérios e pensadores e todos nós que sabemos pensar esta situação alarmante e indecente!  E o governo insano de Israel somando forças com os EUA e alguns países europeus interessados em armas e vendas de armas, etc, e mais poder e domínio de terras causam ao mundo e aos palestinos que vivem em Gaza esta situação de tanta morte e destruição (filmada em detalhes até mesmo por eles). Vale lembrar que algun...

Bom dia, palavras!

Há distâncias que fundam caminhos. Entre o chão e o rosto, na margem do percurso, árvores. Há braços que olham nuvens espalhadas. Neblinas. Silêncios que sustentam olhares. Dias quentes e vidas ardentes. Ervas e flores abertas. Desejos e miragens. Há guerras que infestam tudo: pedras e bombas espalhadas. Há crianças que pedem comida. E dormem na noite escura de Gaza. A boca seca de tudo. Sem pássaros e sem poesia.  * E marcaremos estes dias destruídos  com estrelas.  Era uma paisagem de cidade viva com torres e telhados lúcidos.  Rio de Janeiro, verão de 2024.   

A matança de crianças palestinas encurraladas

4. É preciso que se diga, pois nunca vimos nada igual. As crianças da Faixa de Gaza estão sendo mortas em qualquer lugar. São assassinadas nas ruas, dentro de casa, nas escolas, nas ambulâncias e nos braços de suas mães.  É preciso que se diga que não estamos suportando este genocídio! E já são 17 mil crianças mortas em mais de cem dias de invasão de soldados israelenses em Gaza. * 5. Anjos sem idade partem sobrevoando os céus palestinos e olhando estrelas e nuvens de fumaça.  E mirando de longe a dor dos seus: Bebês que respiram com dificuldade. Meninas e meninos sentindo fome. A sede se espalhando pelo chão. E a dor imensa de todos nós  não é suficiente pra acalmar o mundo de tanto sofrimento e tanta insanidade.  Adoecidos de tristeza alguns homens e mulheres gemem  entre nuvens e bombas. Catam livros as crianças de Gaza juntando páginas espalhadas pelo chão  em meio aos destroços causados por explosões.  Cenas cruéis demais nos consomem de longe, e ...

Esclareço mais um pouco sobre a invasão do governo de Israel

 2. O nosso presidente Lula disse que "não é uma guerra entre soldados e soldados". Ou seja, não é nem mesmo uma guerra pois não há dois exércitos guerreando. Há uma faixa de terra sendo invadida e destruída totalmente, e pessoas de todas as idades sendo mortas à toa. E já são quase 30 mil mortos (a maioria de mulheres e crianças). Não é preciso ser muito inteligente para ver tudo isso. Claro, sabemos que existem os Hamas. Mas, também sabemos que eles estão espalhados em vários países ao redor da faixa de Gaza. Portanto, não se trata de eliminar ou punir o Hamas.  E chega de mentiras! Quem está bancando esta nomeada guerra no mundo, está também bancando a venda de armas. E chega de mentiras! Os interesses são econômicos e políticos visando sempre mais poder. Não precisa ser jornalista para ler as entrelinhas destes fatos monstruosos. Os judeus ricos que apoiam a Extrema Direita são suficientes para silenciar o mundo? Que vergonha! * 3. E qual o lugar dos EUA nisto tudo? O lug...

Importa dizer hoje:

1. Uma salva de palmas às palavras de nosso presidente Lula! É preciso coragem para dizer tudo isso. E a Globo News pisa no próprio pé ao fazer críticas ao nosso presidente e acobertar o plano de matança, o genocídio que o governo de Israel põe em ação. Eles, alguns jornalistas deste jornal, amaciam os atos de um governo insano. A máquina que gosta de matar está em ação e é bem claro isso. Não é possível silenciar diante desta barbárie! Espero que o nosso Lula continue firme no propósito de defender a vida e os direitos dos palestinos!

Autobiografia em obra

Volto, de tempos em tempos, à escrita da autobiografia como uma nascente que jorra sem ser interrompida. Por ali passa o tempo da infância e, sobretudo, passa a primeira fase adulta com as descobertas férteis femininas.   Não sinto falta de nada durante esta escrita cheia de nuances, às vezes barroca em detalhes, e escrevo em primeira pessoa bem à vontade. Não sei dizer, se um dia estas linhas serão publicadas. Mas não importa. Este rio sinuoso ajuda a pensar o passado vivido com cortes e sombras, com riscos e traços, com avanços e viagens. Houve um tempo de escolhas, houve um tempo de recuos. Houve o tempo da solidão. A direção se fez desdobrada. Um caminhar com livros. Passos rápidos entre pássaros e letras. A verdade do lápis no papel e da casca da árvore. Rio de fevereiro de 2024

Linguagens

Escreverei mais. Muito mais ainda. Conheço as palavras e o sono das palavras. As raízes das sílabas enraizadas se abrem no solo virgem das manhãs. O que dizem com a boca voltada ao vento e as ausências dos mais queridos  nas vogais navegando o espaço? Pedem chão as palavras quando a calma clara em ressonância  com árvores e pássaros  sustenta desejos, portas e abraços.  Sábado, 17 de fevereiro de 2024.

Germinação mínima

Clara em cores rosa e lilás germina a flor na ponta do pincel. Silêncio manso sobrevive em ligeira harmonia. Nascer entre os dedos. Sobreviver em graça  e delícia.  Enquanto a visão deixa a luz passar  a sombra saboreia e ninguém mais importa.

Hoje é sábado

 Névoas  Deslizam névoas e se dissolvem.  Nada sabemos da leveza de um instante. Folheamos os dias rapidamente  e o corpo cansado avança. Com as palavras sopradas  que secretam mel somos os aprendizes do olhar  na voz do mundo.  Fluem névoas sobre a cidade. Rio de fevereiro em final de Carnaval,  2024

À noite,

anoto: Os bombardeios na Faixa de Gaza contínuos e exagerados escandalizam uma parte do mundo. O hospital invadido por soldados de Israel ficou em estado de calamidade: cinzas e cadáveres.  O assassinato do russo Alexei Navalny, hoje, no campo gelado da prisão do ártico soa perverso.  O mês de fevereiro no Brasil corre entre casos de dengue e o fim do Carnaval. Não suporto mais os verões cariocas. Calor demasiado desumano. O mundo geme um sofrimento interminável. Em qualquer língua é preciso lutar pela paz.  O cotidiano da escuta ensina diariamente. É preciso ser simples. É preciso ser. Amar não se confunde com morrer... *

Poder sem título

Tudo ou nada posso dizer. Enquanto escrevo, escuto.  Estou sentada na sala. Descalça.  O vestido de verão é verde. Os cabelos bem brancos lançados ao alto em  coque. A chuva desce do céu e acorda mil desejos. Sinto sede de viajar. Escutar outras línguas. Estou enraizada aqui neste Rio de Janeiro. E rodeada de mar e montanhas.  Nada ou quase nada. Sinto dizer tanto. Tudo é muito. A bordo da vida  um corredor enorme e o horizonte se estende ao olhar. Rio, 15 de fevereiro de 2024

Diário,

Chove e agradecemos esta água que desce suave e fresca. Verão quente demais por aqui. Está difícil caminhar, e difícil sair. Alguns turistas tontos andam pela cidade exaustos. Quem pensou em ver a vista do Cristo hoje, só verá chuva e neblina. As praias vazias mostram o básico: areia e mar.  Só saímos de casa na terça-feira, a nomeada terça-feira gorda. Antigamente, o último dia de carnaval. Agora a folia se estende, praticamente, até o próximo domingo. E haja fôlego! Não vejo alegria nos jovens que circulam nas ruas do bairro. Vejo a compra de bebidas, sem fim. * Um fim e um começo Espero o dia que acende um amanhã Devoro com as mãos o que preciso Um braço e um abraço estendidos Sinais de encantamentos  Perguntas e mais perguntas sem respostas As nuvens implacáveis andando pelo céu Pedaços de mim entre asas e abismos sobrevivendo dias sem descanso Rio de fevereiro, 2024

E nos despedimos do Carnaval

Amigos, Aos poucos, vamos nos despedindo de mais um Carnaval na cidade do Rio de Janeiro. Ufa! A expressão não dá conta dos excessos que ainda acontecem pelas ruas da cidade. Muitos cariocas saem do Rio buscando a natureza, e muitos outros escolhem ficar no silêncio de suas casas entregues ao dolce far niente. No entanto, a folia corre solta por mais de uma semana nas avenidas e nas areias do mar. A alegria se envolve com o álcool que corre solto também. A música solta e assanha os pés e os braços de sambistas de muitas línguas. Em alguns lugares, temperatura de 40 graus e sensação térmica de mais de 50. Ufa! Há gosto pra tudo: fantasias de luxo, baile do sarongue fechado aos mais ricos, bloquinhos espalhados pelas manhãs dos bairros da cidade que cantam marchinhas antigas, blocos que arrastam multidões em meio ao calor infernal do asfalto no centro da cidade, e a avenida Sapucaí super colorida do samba que deixa desfilar as belas Escolas de samba. Alegorias e passistas Crianças desfil...

As vozes femininas em vários paises se levantam contra o ataque de Israel a Gaza

É muito impressionante constatar que são as mulheres que falam e demonstram indignidade contra este monstruoso ataque do exército de Israel no sul de Gaza.  As vozes que escuto são de mulheres da França,  Espanha, Brasil, Suécia e Irlanda especialmente.  Não vamos admitir nunca que um povo seja dissipado em pleno século XXI com argumentos atrasados e desumanos. Nos chocamos ao constatar  a força do comércio bélico no mundo ocidental. A maior parte dos governantes silencia.  É indecente! Interesses comerciais passam por cima  de vidas humanas. O massacre continua dia a dia.