Imagens feitas a partir da década de noventa.
Postagens
Poema
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Quero de volta as estações do ano E os muitos tons do viver Circuitos inquietos abrem Portas e janelas de violências Não vislumbro no agora o suave O susto e o imprevisível de atos bárbaros Assombram as horas e as tardes Que correm sem saber o porquê Quero um dia e uma noite De braços mansos De pernas fortes E gestos brandos Sem temer a noite Mais nada
A prática da escrita: uma longa caminhada
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Escrever para mim é uma experiência. Escrever é parte do viver. E é um ato, um ato de escrita. Neste ato experimento um saber fazer/ savoir faire que se desdobra a cada livro e a cada poema ou texto em prosa que nasce no processo de criação. Escrever conforme gosto de afirmar me ajuda a respirar. O mundo ao redor silencia no momento desta entrega. A angústia ganha novos contornos, pois o trabalho é, primordialmente, realizado com a memória em seu viés mais guardado. Há uma elaboração que se faz aos poucos, portanto, e, que pode até mesmo me surpreender em um momento a posteriori, pois nunca o trabalho é feito exatamente com o mais conhecido e o mais sabido. Sempre me envolvo em camadas desconhecidas. Talvez por isto, algo ficcional esteja sempre presente no texto. Há entre o sonho e a realidade, nas camadas que se montam, as partes distintas do viver que vão compondo a vida onde estamos inseridos. É um espaço de luz e sombra que é recortado a cada vez, e onde se instalam as dores...
Inédito
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Fios risos rios fome Nobres pobres comes e bebes Pisos pedras paredes Camas casas casais Um dia um segundo Uma vez duas horas Um ano um rio Uma árvore um lamaçal Ali aqui agora Apito de trem Navio sirene Sino de igreja Tantos e tão pouco Pouquíssimos Um instante Lá longe Hoje Ontem Vida Além (Azul Blue ) 1 de setembro de 2017
Registro Raro
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Guardo um registro raro de San Benedetto. Não se mistura com nenhum outro. Envolvida pela chuva fina e fria daquela manhã de abril avancei em direção à porta principal da Basilica di San Benedetto Po . Na memória alguns relatos vivos de meu pai me acompanhavam, e receberam o ar natural ventilado nesta viagem rumo aos antepassados. Caminhei. Avancei e mirei paredes. Portas, arcos, santos, ou inversamente de baixo para cima: o chão pisado por tantos. Os coloridos mosaicos, já relatados pelo meu bisavô e rememorados por meu pai tantas vezes, se mostraram. Visitei e vivifiquei estes recantos da memória.
A Universidade de Paris3 vive tempos estranhos
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Paris3: Centre de Recherche sur les pays lusophones Frequentei em tempos distintos e de maneiras diversas a Universidade de Paris3, a famosa, a bela e querida Sorbonne, tão permeada de História e fatos dignos de serem relatados em livro. Neste momento de mundo, com as mudanças que se impõem aos estudantes e professores que vivem em Paris, acompanho de longe uma grande mudança imposta às Universidades da França. Não vou entrar na questão por considerá-la muito particular. Mas, posso sempre fazer algumas considerações. Afinal, a Universidade da Sorbonne - Paris3, no setor onde se encontra uma bela Biblioteca Lusófona, e ainda uma sala de estudos e reuniões, além de espaços diversos (sala dos professores), etc., onde há muitas décadas muitos se dedicaram ao estudo da língua portuguesa (Portugal, Brasil e Países Africanos de língua portuguesa) está em vias de ser desmontada. Com grande constrangimento me despeço deste espaço de cultura, ensino e pesquisa. A tristeza não me...
Amantes de livros
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O olhar atravessa estantes múltiplas e multiplicadas. O entusiasmo se faz nítido. Olhar. Tocar. Encontrar o livro procurado. Decidir comprá-lo ou não. Na livraria Compagnie que fica bem perto da Sorbonne, no final de março deste ano, fui interrompida em minhas pesquisas livreiras pela fuga de um homem que saía correndo com livros na mão sem pagar por eles. Na sequência, assistimos a decisão do jovem da caixa de segui-lo e conseguir, depois de muito correr, ter dois livros de volta. O suposto ladrão-leitor deixou os livros no chão... e, continuou fugindo de seu perseguidor que voltou satisfeito para seu trabalho trazendo os livros consigo. O assunto não durou muito. Os comentários sobre o fato se restringiram aos dois vendedores. Mas, a cena permaneceu na minha cabeça por ser uma repetição, pois há quase três anos assisti a mesma cena na mesma livraria. Talvez, até vivida pelos mesmos personagens. Quem sabe até o tal homem seja um frequentador da livraria, e amante de liv...
Jardim da Cité Universitaire de Paris - primavera de 2018
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Van Gogh em Vicenza na primavera de 2018
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Em Vicenza, fomos ver Van Gogh tra il grano e il cielo, na Basilica Palladiana, quase nos últimos dias desta colorida e instigante exposição. Rodeados de italianos, que vinham das cidades próximas desfrutamos a pintura de Van Gogh desde seu início com desenhos imperfeitos, onde faltava a técnica dos estudos acadêmicos, conforme escutei nas explicações de uma italiana ao seu grupo de estudantes. A caminhada do pintor está permeada de cartas ou de comentários críticos sobre, especialmente, a luz em sua obra. Acompanhamos o movimento dos corpos, que debruçados sobre a terra plantavam batatas ou cuidavam da terra simplesmente. O gesto o corpo as mãos os detalhes dos pés (em sapatos holandeses) As mulheres costur...
Poema
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Corpo estrangeiro Não posso deixar de registrar este frio Respiro-o sem querer Invade os olhos o nariz e a face Reduz a caminhada Sinto-me mais velha Sem querer Os agasalhos pesam As botas verdes pesam toneladas nos pés Lágrimas quase pingos de gelo Saltam desastradas dos olhos pequeninos Ainda é cinza esta primavera-inverno Pássaros urgem entre nuvens gordas Dia 20 de março de 2018 Faz -1 degré Ainda neva? Alguns jovens correm Agasalhos negros Ruas geladas em Paris Respingadas de branco Alguns homens perambulam Cantos das calçadas Negros pardos brancos Se mexem Vivos panos rotos Salvar o planeta é a ordem do dia Os homens em correntes-de-mãos-dadas Cada passo sinaliza um olhar Cada gesto expande uma voz estrangeira A língua-mãe marca o espaço do corpo Não posso deixar de registrar este entorno Não posso deixar de registrar este Não posso deixar de registrar Não posso deixar de Não posso deixar Não posso Não.
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2018
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Na volta ao Rio no dia 12 de abril desfrutamos de um voo da Air France duas vezes cancelado. Greves sem explicações nos atropelaram. Greves francesas. Um boeing gigante atravessou os mares de forma quase silenciosa. Não fosse o vai e vem dos passageiros que, neste voo, falavam baixo e se moviam pouco podíamos pensar que tudo fazia parte de uma ficção. No aeroporto as filas nos davam a direção. E, estranhamente, não foi preciso pegar o trem junto com os chineses como em outros momentos, e, que nos levava para o fim do mundo de um enorme aeroporto antes do embarque. Rapidamente, estávamos diante do portão de n. 41 (?). Embarque. Porém, nada ou quase nada a comer se encontrava ao redor. Apenas, uma lanchonete do tipo americana caso subíssemos um andar de elevador. Inacreditável o número de lojas de primeira linha. Vazias. Falava-se 4 ou 5 línguas a bordo, inclusive o português. Conseguimos dormir um pouco. Sim, e, por incrível que pareça, o cansaço nos levou aos bons sonhos. ...
Crônica veneziana
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Quando os homens do mundo não se olharem mais com estranheza, a humanidade caminhará mais tranquila. Cuidar das águas dos rios e dos mares. Plantar alimentos sem respirar agrotóxicos. Mudar os políticos econômicos encarcerados no dinheiro e poluindo o mundo com pensamentos de interesses financeiros apenas. Humanidade- irmã Diversas línguas escutei no café da manhã: Africanos falavam em ritmo forte O casal italiano jovem brigava O casal alemão se assustava com os ruídos Nós sorríamos entre-os-olhos O casal inglês idoso silenciou seu sotaque alto A jovem chinesa empurrou o pão com a mão apressada E, tudo continuou como antes quando o casal que brigava se retirou de repente... Deixaram um par de óculos escuros sobre a mesa.
Passo. Passagem.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Meus antepassados saíram de San Benedetto Po em 1877 porque havia muita fome ao redor do Rio Po. A pobreza se instalara naquela região. Mesmo Mantova sofria. Na Páscoa o passo, o caminho e o passeio nos levaram em torno das histórias dos antigos. Passo. Passagem. Páscoa. As ruas são de pedras redondas. A imigração é o tema do mundo . Os sírios se movem. Os africanos se movem. Mas, antes, os italianos se moveram. A direção é a da bandeira da esperança. A passagem dos imigrantes é a de caminhar em direção ao sol.