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Coisas distintas

Era por esta razão que as coisas eram assim?  Uma porta e uma janela abertas  atrás de mim: sinais todavia. É preciso esperar a noite calma.  O céu acordado e com estrelas.  Um sono solto. O corpo leve. Coberta de azul. Vales verdes entre folhas repolhudas. Abrem-se os espaços nas voltas do tempo; pedaços de céu ! Escuto o céu. Desdobrada no silêncio  escuto - entre luzes e vazio - o céu acordado de nuvens. Habitada de palavras aqui permaneço (nesta morada clara)!

Luzes surdas

 Nos ausentes planos a noite fria é densa A noite suporta sonhos (palavras nos atravessam) Escrevo à noite Escrevo o escuro da noite * Quando a primavera chegar " por toda a minha vida eu vou te amar" Luzes acesas espalhadas nas ruas  quando soar a noite sonhada  E a letra desta canção de amor (sem escuridão) cantará em vozes múltiplas  "Eu sei que vou te amar..."              Para Eduardo Suplicy

Amanhecer

 O vento se levanta cedo O mar não se dobra mudo E este inverno inesquecível permanece um desejo de mudança 

De olhos bem abertos

 Alguém pede soluçando  e não alcança a extensão de seu desejo Alguém sabe sobre a fome e na busca de saída deste lugar não nos surpreende ver a verdade dos muros a voz da cidade as mãos unidas mais uma vez Provavelmente chegará  uma presença para matar a nossa sede Provavelmente beberemos água  no breve futuro Nossas mãos eclipsadas  têm fome e sede

Homenagem à poeta Tamara Kamenszain

 Um ano sem a poeta argentina Tamara Kamenszain  Relembramos Tamara, sua voz e sua alegria genuína.  Relembramos sua leitura de poemas inéditos em Rosário, durante o Festival Internacional de Poesia em 2005.  Cafés, conversas sérias ou brincadeiras. A indicação do livro de uma outra poeta, Alejandra Pizarnik. Caminhadas no frio das manhãs de sol. Ou na noite escura da cidade de Che Guevara. Visita à uma livraria cheia de poetas. Livros e mais livros presenteados entre todos. Jantares amigáveis e intermináveis... Noites de lua. Passeios a pé tingiram nossas memórias de versos!  "Cuando te vea por primera vez voy a saber que sos el que sos" (...) " Cuando me veas por primera vez vas a dejar de esperar lo que esperabas" (...)    Solos y solas, Lumen. 2005

Lançamento do livro Estrangeira

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 Na Travessa de Ipanema em 2010. Com amigos, colegas e leitores.          Com parentes, amigos e tradutores.

Lançamento do livro Leminski

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 Livraria Marcabru,  2003, com amigas e colegas psicanalista.

Rio de Janeiro, 23.07.2022

 Nas ruas do Rio   Cidade estranha: rodeada de formas redondas  e cores azuis Areias e coqueiros seguram o mar perto da asfalto Bicicletas de asas e aros voam E balas nervosas atingem a população  Cidade de volumes altos onde a luz de viés  beija a lua A vida diluída  Assombrações  Corpos estendidos nas calçadas  A morte avança sinais Em vão arranha-céus pedem às árvores do horizonte que sublinhem e sustentem  um outro amanhã 

Lançamentos de Outonos, montagem incompleta e Estrangeira

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 Travessa, 2014, com o editor Jorge Viveiros de Castro  Com os editores Isadora Travassos e Jorge Viveiros de Castro,  2010

Café letrado com poetas

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Alberto Pucheu e Afonso Henriques Neto, os poetas convidados          Momento de leituras e conversas

Café letrado na livraria Contracapa

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 Encontro com as escritoras Lívia Garcia-Roza e Heloisa Seixas, 2001 O interessante público presente

Rio de Janeiro, 21.07.2022

 Jardim de sonhos Da janela inundada de sol vejo homens delirantes Na ladeira de pedras  a flor abandonada no chão se mostra apagada (quase toda despedaçada) Dói-me o dia a dia ainda a vir; entre notícias tristes  um pouco de escuridão anda em toda parte Não encontro facilmente a magia dos gestos  Sonhos mansos me visitam de vez em quando Rosas azaleias begônias vermelhas Com criatividade rascunho de novo o amanhecer

Nota de final de dia

 Compramos hoje O livro de Job Tradução de Lúcio Cardoso. Livraria José Olympio editora Pelos 90 anos desta Casa de livros, fundada em 1931. Janeiro de 2022 Viva! PS. E aproveito a oportunidade para dizer que meu avô foi publicado, também, nesta Casa de livros.

Rio de Janeiro, 19.07.2022

 Escrevo: Algumas tias queridas fazem 90 anos este mês.  Tia Alda e tia Selene são mulheres nascidas em Vitória,  Esp. Santo. Uma é filha de um advogado escritor, e a outra de um engenheiro que contava histórias sem parar.  Cresci rodeada pelas histórias escritas por meu avô, mais conhecido como Dr. Lins, e as contadas por Dr. Quintino.  Os adultos gostam de repetir as histórias de sua infância e juventude. Sempre as mesmas histórias.  Agora, que estou ficando idosa, repito as cenas vividas por nós nas férias longas de verão em Guarapari. Entre os personagens rememorados estão alguns tocadores de violão que apareciam na varanda da casa de meu avô. As letras das canções ficaram gravadas na memória de meu pai, que nos legou um repertório de fazer rir e gargalhar. Feliz 90 anos, queridas tias! Mulheres lindas e guerreiras de nosso tempo!

Poesia de inverno

 A voz chega e me alcança em asas altas. A palavra entra por inteiro. A rota desconhecida  e fora de mim no verso entre pausas respira. Reconheço o canto. Ela vestida de seda entre sons de cigarras e bambus enquanto bebe gotas de chuva anda leve e as mãos tocam echarpes de vento. Junto ao rio sujo de tudo os pés não navegam. Nada mais importa. Só os deuses e as damas da noite que perfumam o jardim na forma inesquecível de mais um dia.                                                Para Virginia Woolf

Lançamentos de livros:

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                                         Em 1992 lançando Contornos em Vitória. Ed. Massao                                          Ohno, 1991.                                               Entre primos e familiares, nesta tarde gostosa                                              em Vitória na Feira do livro.                                             Em 2002 com o tio e padrinho querido & os primos-sobrinhos       ...

Algumas linhas em 16.07.2022

  Tempos bárbaros e uma Guerra escandalosa: Uma guerra de atrocidades, onde um país invade o outro que só se defende. A Rússia se dá ao direito de fazer a guerra com um país vizinho, que era considerado irmão, por querer dominá-lo e impor seu regime, seus princípios. Uma postura arrogante e inadmissível em nossos dias, porque o país invasor se coloca acima do 'bem e do mal' se autorizando invadir, destruir e matar o povo vizinho que pensa e vive de maneira diferente. Vladimir Putin, o presidente russo que encontrou uma forma de permanecer for ever no poder, com o apoio de uma parte da Nação que o teme, causa a muitos de nós, ocidentais mas não só, calafrios de repugnância.  Nada disto precisaria ser escrito neste sábado de sol, na cidade do Rio de Janeiro, se ontem o exército russo não tivesse bombardeado e destruído totalmente duas grandes universidades, mais precisamente em Mykolayiv. É preciso dizer Não à guerra todos os dias, a maldita guerra que a Rússia impôs a todos nó...

Poesia: 15.07.2022

 Um sopro feminino Vemos véus negros e fantasmas Talvez velas acesas espalhadas nas escadas Igrejas tocam sinos. Badaladas ligeiras Ele diz: "Esta vida de vergonhas estranhas!" No caminhar das saias Vejo homens de chapéus  A bela Helena de Troia E Santa Isabel; inteligência divina Rodeadas de mulheres (muitas molheres ) Tão despedaçadas em roupas e brumas Sonhamos dias de lírios Qual serão os fantasmas na sombra do porvir?   Besouros e florestas virgens  Não assombram O amanhã de alabastro 

Nota de final do dia:

 Quem é afinal o presidente da Câmara dos deputados? Quem são os políticos que só se enrolam neste novelo sujo? Na ponta da linha traçada há alguns anos estão palavras e atos inconcebíveis. É muito difícil ver que o jogo só se estabelece nas regras sujas. Imundas! * Enquanto o mundo conturbado se move, o Brasil arranha seus passos fora da Diplomacia e da lei.  * Ainda quero abraçar as mulheres nesta semana cruel demais: as corajosas e as que sustentam uma voz própria.  *

Rio de Janeiro, 13.07.2022

  Da terra e das estrelas Longe e muito além dos cabelos da floresta, iluminada no silêncio denso e sem fronteira nem línguas amarradas, corre a vida ainda desconhecida. Abertas as praias de areias da terra alcançamos visões  entre névoas e neblinas e formações em movimento de beleza rara. Onde cimos emergem em esplendor  o abismo ou a linha não alinham só o vazio. Afluem coisas mínimas neste desconhecido. * Onde? Onde estamos indo a luz se despenca das alturas. A guerra entranha nossas vidas e árvores estremecem. * Frases e dias soltos  na violência que se mistura  entre consoantes e vogais. Não abra a porta à toa. Não abrir o caminho na sombra  de dias tristes demais. * Dilatam-se as horas...