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Sábado de calor intenso

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 Luz e sombra Colagens Pinturas Instantes Recantos Escuta Navegação  Luz e sombra

Em 2013 anunciando o Gradiva,verão

  Filmagem de 2013 no Jardim Botânico. Em 2026 teremos o livro bilíngue pela editora Guattari.

Domingo de temporal

Sinto a umidade dos pingos descendo do céu.  A luz da tarde ainda acontece. Um certo silêncio vive entre sons diversos: chutes na bola que gira no play e grilos falantes. O final da tarde de domingo se estica entre meus pés. Escrevi a vida em pequenos fragmentos. Escrevi na manhã e na tarde convivendo com uma calma que me tocou os dedos das mãos. Reli um pequeno caderno escrito em 2014. De lá, desta fronteira já distante, recuperei pedaços de registros vividos. As voltas dos ponteiros do relógio cansadas de girar silenciam. Os sons que surgem nascem de luzes distantes no céu.  O café quente e um pedaço de pão. Escurece rápido.  A nuvem negra pesada de tudo carrega até pesticidas. Piove... piove. A cidade se esconde em névoas.  E esta mão formiga diante do mundo  trabalha. Espera um dia e outro: a folha clara o corpo vivo e os olhos na sombra. Um eco de memória  enquanto o sangue corre quente. As raízes das árvores nos contam que  os seus dedos saltam o...

Sábado à noitinha

Voam nos céus violentos  artefatos que matam. Voam armas. Crueldades.  Línguas de fogo. Soldados bárbaros agem  em atos indistintos.  Na neve e no frio usam armas  e a morte anda ao lado. São 18horas de sábado.  A morte ronda o mundo. Longe ou perto a terra clareia pelos olhos que nos olham. * De um lugar a outro a casa cheia de paz traduz presença e ausência. Na luz do entardecer árvores verdes escurecem. Há solidão nos pios de passarinhos. Paz.  Passarada.

Antes de dormir

 Não posso deixar de dizer: É preciso lutar contra a Extrema-Direita! O que vemos acontecer em nossos dias fere todos os princípios humanos existentes. A família Trump, absurdamente, se autoriza arrasar com a história de um povo visando o lucro imobiliário e o apagamento de uma nação ancestral.  Como se nada mais importasse além do lucro! Quem são estas pessoas que não têm pudor algum ao declarar sua ganância desmedida e perversa? Até quando o mundo vai ficar silencioso diante destes bárbaros?

Acolhimento

Recolho pios soltos de pássaros que sobrevoam e pousam nos galhos repolhudos das mangueiras perto de minhas janelas. Sons diversos e sôfregos andam passando ao largo. Esqueço por instantes as cambalhotas perdidas de nosso mundo. Os sons distintos me habitam e confortam. Recupero as coloridas pipiras de Manaus. Pequeninas e azuis. Entre meus dedos ágeis a vida sobrevoa encantos da infância. Que dia é hoje?  O mamoeiro cresceu na chuva e no vento. Os sanhaços fazem a festa.  Miúdos sons de delicadeza. Recolho pios  Restos soltos Alvoroço  Asas

E mais e mais

 Acordo os dedos das mãos entre nuvens na manhã nublada. Procuro ver um pouco mais depois do que percebi lendo e ouvindo notícias do mundo ontem: 1. O presidente insuportável, que pensa ser imperador, continua falando asneiras perigosas, mas escuta quem quer. E acredite se quiser. 2. Manifestações até no gelo acontecem contra tudo que os americanos declaram desejar tomar posse. Queimaram a bandeira americana em Davos. Os gritos acontecem em muitos lados, em muitas línguas. Até quando os EUA vão insistir em sustentar um presidente insustentável? 3. A população 🇫🇷 reage contra a aprovação sem assinaturas nem votação ao acordo feito  pelo Mercosul com a União europeia. Por aqui, será preciso explicar que eles não querem produtos com agrotóxicos. E isso é coisa séria! O acordo foi parar na justiça por pressão popular e o voto do Parlamento europeu. Voilà! 4. Aqui, precisamos acordar para lutar contra os agrotóxicos aceitos e comprados pelo agronegócio aos montes! E há pesticidas...

Hoje ainda

 E em uma segunda leitura, podemos ver calmamente os efeitos dramáticos de escolhas equivocadas ou do poder destruidor da Extrema-Direita neste momento no mundo. Em Israel nem dá para nomear o quão danosa e destruidora tem sido a direção tomada por eles. Desenha-se com isso tudo que acontece ao mesmo tempo, um mapa de mudanças que se colocarão fortemente diante de todos nós.  Felizmente, já percebemos as forças mudando de mãos. E nisso será importante a visão do Brasil de Lula, assim como a da Espanha de nossos dias e a do Canadá se alargando para novas parcerias. Não suportamos mais a imposição americana dando ordens com seus modelos destrutivos ao mundo. E vamos crer que o respeito entre os povos deve vigorar sempre. Não tentem nublar as cenas com questões financeiras acima de tudo. O nosso tempo necessita de proteção e respeito recíprocos.  Os protestos falarão por nós.  E os boicotes falarão por todos.

Hoje

Os dias deste verão se esticam em fios de calor intenso no Rio de Janeiro. E há as notícias ruins de um mundo que gosta de tragédias acontecendo sem parar. Gaza continua sendo destruída de forma trágica. Já é a pior série de assassinatos de nosso tempo. Adjetivos não se mostram à altura do horror do que acontece lá um dia atrás do outro. Europeus, chineses ou russos não se envolvem na questão. Assistem e nada fazem a favor dos palestinos. Os russos, supostamente, por estarem enfiados na Ucrânia. Os chineses têm seus próprios ideais. E os europeus estão rendidos à loucura americana. Com isso, alguns noticiários do mundo nos impõem o pavor do que se tornou este governo de fanáticos e fascistas americanos. Escrever ou não sobre isso é sempre uma escolha. No entanto, não dá para silenciar e seguir a vida fingindo que está tudo bem por aqui, e nada mais importa. Importa e muito, tudo que está ao nosso redor importa. Somos e respiramos o mundo de nosso tempo. Uma guerra e bem mais de uma nos...

Um poema

Um poema na manhã nasce  Passam letras entre meus dedos Um poema só  Não se confundirá E seu caminho de sílabas segue até o mar Onde areias e crianças brincam os sons correm entre risos Mas em casa meus olhos brilham com outras cenas As sombras preparam paredes e os versos crescem junto ao relógio  Um poema só  andando sem jeito não viverá à toa Sozinho no tempo e respirando manso de noite sonha Dizem que funda mundos mas nem todos os olhos  podem ver Quieto espera o vento incerto E o sopro de uma abelha (Quem sabe na madrugada) Nua e transparente Rio de verão quente, 2026

Homenagem a Novarina

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 O livro que ganhei do amigo Maurício em 2004. Mais adiante recebi nele o autógrafo do escritor.  E em minhas leituras traduzi alguns momentos do texto. Escrevendo, delicadamente, a lápis alguns versos que nasciam. Voilà et merci une autre fois!

Algumas de minhas pinturas, 2025

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                                              Para Munch Para Brecheret E alimentada pelas cores e traços de meus trabalhos, sigo superando os efeitos colaterais de uma medicação  que precisei tomar por quase três anos e meio. Ufa! A vida traçada pelos caminhos que inventamos!  

Partiu Valère Novarina!

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Novarina, um impressionante escritor francês que tanto nos ensinou. Traduzido no Brasil por Angela Leite Lopes e publicado na Ed.7letras. Eu o conheci, pessoalmente, no Rio, mas antes disso dei oficinas literárias trabalhando com livros dele. Especialmente, Diante da palavra. Suas peças de teatro foram encenadas muitas vezes por aqui em monólogos surpreendentes de Ana Kfouri: O animal do tempo, e A inquietude. Bravo! Inclusive, um pouco depois, com a própria Angela retomando seu trabalho como atriz em 2011, no texto Teatro dos ouvidos. Recentemente, tomei conhecimento que estava pintando. E percebi, novamente, nossos caminhos próximos. Obrigada,  Novarina! Aprendi muito sobre o sopro e a escrita. A respiração que está no início de tudo. Suas leituras magníficas deixaram seu traço.                                                      Foto divulgada p...

Poema da noite quente

Cílios e murmúrios  Sono pequenino  Sem nome nem data Um olhar pousado no corpo Permanente gesto O chão de ipê e pés                                descalços Um murmúrio no olhar  e pálpebras de lucidez * Com os pés na areia  E os ombros altos mirando nuvens Não há vento Respiro a espera  E escrevo sem ar

É preocupante:

 Acabamos de ler na "reporterre_media", um site independente dedicado à ecologia na França, que os pesticidas proibidos na Europa chegam no Mercosul e no Brasil em enormes quantidades. E a soja, o açúcar e o milho representam mais de oitenta por cento da consumação destes pesticidas no Brasil. É insano e perigoso! Assim, que comemorar este acordo de libre ėchange é uma faca de dois gumes. Continuamos submetidos aos poderosos do agronegócio.  Certamente, será um negócio muito rentável porém muitos ainda irão adoecer, tanto lá como cá. E o meio ambiente será atingido. Mon Dieu! Infelizmente, 'quase' tudo é soja. Há pastos e bois à vontade; o que também preocupa porque comem soja na forma de farelo.  E quem fará a crítica necessária a  tudo isso que acontece livremente? Rio de Janeiro e de agronegócio a mil por hora, 2026. * PS E aproveito para dizer que somos completamente contra estas perfurações de petróleo no Amazonas. Por todos os motivos lógicos e racionais. Chega...

Poesias de segunda-feira

 Na febre do desejo que a mão escreve e saboreia. Em ligeiros solavancos, os dedos se unem em alvoroço.  Mas o calor atravessa a manhã  cheio de sede. O corpo sente o vazio. Em linhas suspensas a casa de portas altas  abre-se ao espanto. Não no curso do verão.  Mas buscando calçadas  que reúnem surpresas. Gentes seminuas. Bicicletas tontas. Tênis e sandálias de dedo. Asfalto quente e a pele queimando. O que se escreve arde. Rio de janeiro, verão de 2026. * Sem título  E é por um incompreensível dizer que o poema corre. Latidos de cães não apagam o azul nem a sombra da palavra. Espaço e olhar. Silêncio e ruído.  *

Diário fotográfico

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Meu trabalho com as tintas e os pincéis.  Pinturas que nascem das cores. Pinceladas de movimentos diversos. A natureza em movimento. Acordo os gestos da mão.  Gestos de memória.  Conforme já afirmei em versos: Antigamente não é hoje.  

E hoje é sábado dia 10

Um outro sábado de janeiro  cresce nas linhas ruas  e rugas da cidade. Mais um passo e o sinal de luz. Caminhar nas pedras da calçada  em ondas. Mirar a espuma do mar. Leblon voz e chão  soando zunindo verão.  Do outro lado da mesa de madeira a xícara e a mão.  Uma verde maçã aguarda. Quem abre o ângulo da árvore  no vidro da janela vê o dia. Pobres figuras sem dádivas  passeiam no seio do ocidente. Por pudor e sempre escrevo as manhãs.  Às 9horas o relógio Oito aguarda.  É rendada a nuvem que passa. * Um rosto mergulhado na palavra andando aviva o verde. A escrita desce o verso e a língua sobe sílabas.  Ela deseja e desenha o passo a passo sem armas na mão. 

Relembrando a nossa viagem à Tours, França

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  Estivemos em Tours, em abril de 2024. Visitamos a cidade velha, cheia de riquezas inesperadas. As igrejas magníficas são um presente e os museus nos aqueceram a alma. Foi a segunda vez, que visitamos esta região.  Comemos crepes e doces inesquecíveis sem cerimônia. O frio incomodou meus joelhos. Mas, caminhei aquecida e descobrindo lugares e ruas especiais rodeadas de pedras. Os adjetivos não dão conta de nomear a nossa experiência.  As fotos são feitas pelo casal.

Amanheceu em 2026

Estávamos por ali e rapidamente a cena mudou. Na sala entrou uma luz nova; a luz do verso. Surgiu brilhante e muito sossegada pousou entre meus dedos. Recordamos outras tardes. De noite ainda era cedo. A falta de alguns circulou nas fotografias. Recordamos viagens, respiramos o ritmo da dança.  A luz da vela acendeu sonhos. Enquanto sorrimos o poema aconteceu: ligeiro, leve em sílabas livres entre abraços lentos. Em janeiro nos casamos. Um dia atrás do outro. Deslocamos móveis. Carregamos muitas malas. Agora um raro espanto assiste a nossa velhice. Rio de Janeiro, dia 6 de 2026.